Sexta-feira de manhã, eu estava atrasada para aula, por isto tomei café rápido, arrumei-me e quando estava pronta para sair desci as escadas da casa apressada. Eis que lá estava ela me esperando uma caneta no chão, muito próximo ao último degrau da escada. Em qualquer parte da terra, menos na Irlanda, isto aconteceria. Pois quando um objeto desdes caí no chão, as pessoas não o deixam abandonado lá para causar um acidente. Resultado, torci o meu tornozelo.
Foi um estrondo muito grande, minhas coisas voaram longe, e senti muita dor. Fez tanto barulho que consegui até acordar o filho do meio da Paula. Ele veio me perguntar se eu estava bem, o correto seria perguntar se eu estava viva! Depois de uma tentativa de homicídio. Com os olhos cheios de água disse para ele que estava bem. Daí ele me ofereceu um gelo, não tive como recusar.
Tirei a minha bota e coloquei o pacote de ervilha congelado em cima. Eu queria matar quem deixou a porcaria da caneta lá. Muita displicência!! Ele me disse que era complicado me levar no hospital, pois eu teria de ficar umas 4 ou 5 horas na emergência. Nossa que consolo!! Disse pra ele que eu iria ficar bem. Eu realmente não podia me dar ao luxo de ficar em casa com o pé para cima, pois tinha que ir para aula. Toda sexta tem um teste. E depois tinha que trabalhar. Se eu estivesse em casa podia ficar me recuperando, porque realmente era necessário, mas como estou aqui... Tenho que ser forte!!
Lembrei da minha mãe que já quebrou pé, braço e no fim acaba cicatrizando de qualquer forma porque ela não tem paciência ou tempo de ficar parada para "consertar". Amarrei a minha bota muito apertada e me fui. Procurei algo similar a gelol para comprar. No fim, gastei quase 8 euros em uma pomada que não me aliviou em nada. Depois de caminhar até o ponto de ônibus, até a escola, da escola até o ponto de ônibus, do ponto de ônibus até o trabalho, e de 5 horas em pé no trabalho. Quando cheguei em casa, o meu pé estava muito inchado, feio mesmo. Fiz uma atadura ninja com uma meia calça e dormi.
Pedi desculpas para o casal que estava indo embora, mas não tive condições de ir no Pub no centro. Pior que foi todo mundo do trabalho. Gostaria muito de ter ido, mas já tinha feito esforço de mais.

Acordei bem melhor no sábado. Depois do banho, fiz a atadura de novo. O único sapato que consegui calçar com ela foi o tênis. Como tinha marcado um almoço com a So no Centro da Cidade, fiz um esforço e fui. Pois a noite, na minha casa aconteceria a festa de aniversário do filho mais velho da Paula, que fez 22 anos na última quinta, e gostaria de convidá-la. Como nós nos entendemos pouco ao telefone, preferi fazer o convite pessoalmente. Almoçamos no Burguer King, onde eu bati esta foto.
Ela aceitou o convite. E a noite, depois que eu sai do trabalho, às 22h, fui buscá-la na estação do Luas. No frio, no vento e eu manca. Minha mãe fica muito indignada comigo neste aspecto, pois eu não importa o que aconteça, jamais dispenso uma oportunidade de sair para passear ou ir para uma festa.
Quando chegamos na minha casa, a festa já havia começado. Estava animada. Subi rápido para o meu quarto com a So, para me arrumar. Quando desci vi que a casa estava toda arrumada e tinha gente bebendo por todos os lados. Nunca tinha visto tanta gente feia e esquisita no mesmo lugar. Parecia que o Eoin, aniversariante, tinha convidado emos, punks, gente alternativa e uns vizinhos não tão esquisitos. As mulheres, na maoiria gordas e muito feias. Eu e a Soo, conseguimos conversar só com um francês que está morando aqui já há 2 anos.
No meio da festa, a Paula voltou para casa com a filha. E perguntou se eu já havia jantado. Nossa foi música para os meus ouvidos. Estava morrendo de fome. Daí vi aquela carne com molho linda e arroz, que pela primeira vez ela tinha feito. Ela serviu dois pratos para nós e eu fui comer com a Soo no meu quarto, longe da zoeira. O arroz não tinha nenhum tempero e o molho da carne era pura pimenta. Só deu para encarar porque eu estava com muita fome. A So gostou, falou que a comida coreana também é bem apimendada.
Depois fomos para a sala novamente e tentamos nos enturmar. A está altura, não tinha mais ninguém sóbrio o suficiente para conversar conosco. Resolvemos voltar para o meu quarto. Mostrei um monte de fotos da minha família para ela, e ela da dela. Amo a tecnologia!!
Quando eu não conseguia mais ficar com os olhos abertos, isto já eram umas 3h da manhã, disse para ela que eu iria dormir, que ela ficasse a vontade para acessar a internet. E, que quando ela sentisse sono, poderia deitar do meu lado. A cama é pequena e desconfortável, mas eu tinha metido ela naquela furada e ela não tinha como voltar para casa.
Só escutava a galera "trebada" gritando, cantando e dando risada. Havia uma fila interminável no único banheiro da casa. Fiquei cuidando, quando não tinha mais ninguém para usar o banheiro, fui para lá com uma trouxa de roupa e o kit de higiene dentária. Fiquei apavorada com o estado do banheiro. Sujo, bagunçado, conseguiram derrubar até o mastro da cortina do banheiro. Um verdadeiro caos. Quando estava colocando o meu pijama, quase botam a porta abaixo de tanto bater. Eu não estava nem há 2 min lá dentro. Em todos os banheiros daqui da Irlanda, o lugar onde liga e desliga a luz fica fora, no corredor. Então me deixaram carinhosamente no escuro. Eu muito paciente, coloquei pasta na escova e sai escovando os meus dentes e com o meu pijaminha muito "sexy" (de lã amarelo, com ursinhos que comprei quando cheguei aqui). O francês e uma outra menina invadiram o banheiro e fecharam a porta. Depois de uns 3 min, bati e expressei gentilmente a minha vontade de terminar de escovar os meus dentes. O francês saiu e eu fiquei no banheiro com a guria. Terminei de escovar os dentes, e a deixei com o banheiro só para ela. Muita loucura para mim.
No dia seguinte, levantei muito podre e louca de dor nas costas. Durmi muito mal, pois quis deixar mais espaço para So na cama, a final, ela era visita. Acordamos por volta de meio dia. Eu fiz um café para nós. A Paula estava na maior faxina limpando os destroços. Parecia que tinha passado um furacão pela casa. Garrafas por todos os lados, muitos copos quebrados, pontas de cigarro por todos os lados. Eu não sabia o que fazer para ajudar. A So lavou a louça que estava na pia, enquanto eu ajudava a Paula a arrastar os móveis. De início, fiquei toda sem jeito, porque não tinha pedido permissão para que ela dormisse lá, mas a Paula nem deu bola. A So, deu um presetinho coreano para Paula, e para variar fez amizade com ela também. Eu perguntei pela estudante coreana que estava lá em casa, pois queria apresentá-la para So, mas a Paula falou que a menina havia juntado as coisas dela sábado de manhã e ido embora sem se despedir de ninguém. Achei muita falta de educação. Mas acho que ela não curtiu o estilo de vida da família. Acho que ela teria surtado se tivesse presenciado a festinha. A Paula convidou a So para sair com a gente na próxima sexta-feira para dançar. Sim, para dançar! Ela é muito parceira.
Mais tarde, quando os filhos da Paula acordaram, já estava tudo limpo e organizado. Todos se reuniram na cozinha para comentar sobre a festa da noite anterior. Ri muito com eles, entendia só a medade das coisas, mas tudo bem. Foi então que vi uma cena, difícil de engolir para uma gaúcha. A Save, irmã do Eoin, começou a pentiar o cabelo dele e fez chapinha. Tudo bem que ele tenha cabelo comprido, mas muito estranho. Disse que eu gostaria de tirar uma foto, mas ele não curtiu a idéia. Eu respeitei, mas disse que no meu estado no Brasil, aquilo era muito "suspeito". Ainda mais porque ele tem os traços finos, é bem magro, e se fizesse a barba ia parecer uma mulher. A namorada dele achou lindo. Ficou legal mesmo, mas é estranho.
A noite fomos num fest food comemorarmos o aniversário dele em família. O legal é que eles deixam que eu faça parte disto. Sinto-me muito a vontade na casa. Pela preimeira vez consegui reunir a família e tirar fotos, que claro não ficaram uma maravilha porque minha máquina não ajuda muito, e os modelos muito menos. Foi um parto convencê-los a tirar foto e outro para fazer com que parassem para tirar as fotos.
Leighann (16) e Sean (19). Como dá para ver, quando viu a câmera, se escondeu.
Leighann o namorado Sean. Segunda tentativa, ok!
Agora, Lia (23) com o Eoin(22), aniversariante.
Depois de várias tentativas todas borradas, pois eles não ficavam quietos, esta dá para ver mais ou menos o rosto dele.
Sadhbh (15), ou Save, que não quis colaborar com as fotos de forma alguma.
Paula, minha mãe daqui, muito parceira.
Um comentário:
Mas que vida doida ai, Aline! Tu tem q ser forte mesmo. Imagino o q tu deve tah passando, pois eu tb to sozinha aqui! Guria, td bom pra ti ai. To louca q as auals comecem para me enturmar, bjao!
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