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sábado, 29 de março de 2008

Looking for a job!

Conseguir um emprego em Dublin não foi tão fácil como eu pensava e nem tão complicado como os outros brasileiros que estão aqui me falaram.



Depois de reformular o meu currículo, comecei a deixar em lugares, digamos bonitos, como grandes Hotéis. Mas acabei sendo chamada para uma entrevista no Super Valu, que é um supermercado pequeno, mas bonitinho, tem cara de loja AM.PM. do Brasil. Ah, e a vantagem de ser a 2 quadras da minha nova casa.

Tudo começou no dia 16 de Março, quando os meus créditos do celular tinham acabado, daí o pessoal da casa me informou que eu poderia comprar mais no mercado,
Super Valu, pois lá havia uma máquina, onde se comprava créditos para o celular. Eu nunca imaginei que uma máquina assim pudesse existir. Funciona como um caixa eletrônico, é bem legal.
Quando eu cheguei lá, estavam fechando a loja, e eu e a Leighann, namorada do Sean (filho da Paula), pedimos para um funcionário por favor para entrar e comprar créditos para o celular. A minha sorte que eu estava com ela, se não eu ficaria a "ver navios", sem créditos em plena véspera do St. Patrick's Day.

Depois dele deixar nós entrarmos, a Leighann mostrou para mim o funcionamento da máquina. Funciona como um caixa eletrônico, muito interessante a primeira vista, mas como muitas máquinas por aqui, não sai troco. Ou seja, se você não sabe disto e coloca mais dinheiro, já era, não tem para quem reclamar, pois tem uma mensagem dizendo "no change". Para quem não fala inglês isto é um absurdo! Eu tinha só uma nota de 50 euros, e ela levou algum tempo para me convencer de que eu não podia colocar a minha nota para comprar 10 euros de crédito... rsrrsrs
O funcionário que nos deixou entrar, trocou o dinheiro para nós e perguntou de onde eu vinha. Daí contou para nós que o dono do mercado gostava muito de funcionários brasileiros e disse que era uma boa deixar o currículo lá se eu estivesse procurando trabalho.

Após o feriado, no dia 18, depois da aula eu fui toda satisfeita entregar o meu currículo lá. Falei com um indiano que gostaria de deixar o meu currículo e ele me indicou a gerente. A gerente de plantão era uma loirosa com cara de nerd (muito branca, olho azul, cabelo branco de tão loiro - chanel com franja, nariguda, com cara de diretora de escola de filme americano). De cara ela disse que nao tinha vaga para mim... Saí toda chateada de lá, pois nem com o meu CV ela quis ficar. Quando eu estava na porta, o indiano me perguntou como foi. Daí relatei o acontecido e ele me aconselhou a voltar no dia seguinte de manhã e falar com um outro gerente.

No dia seguinte (quarta-feira), fui toda feliz novamente e entreguei o meu currículo para um cara simpático chamado Michel. Ele pediu que eu voltasse lá no sábado, às 14h, para uma entrevista.
No sábado, acordei bem cedo e voltei a loja que comprei o meu laptop na quinta-feira, no Centro da cidade, para descobrir porque a webcam não funcionava. E eles levaram um tempão para resolver o problema, eu já estava apavorada, preocupada com o horário. Mas no fim deu tempo para tomar um café e usar a Wireless do shopping para conversar com a minha mãe, usando a webcam.

Cheguei no horário combinado, e fui conduzida pelo gerente aos fundos do mercado, a uma salinha pequena, que cabia apenas um arquivo, a mesa do computador e uma cadeira na frente e outra atrás da mesa. Estava exausta, pois tinha corrido para chegar a tempo, e ainda carregando o chumbinho do micro. Ele não achava o meu currículo no meio de trocentos outros. Quando finalmente ele desistiu de procurar nas pastas do arquivo, ele sentou e começou a falar um monte de coisas, eu não entendi nem a metade, só ia concordando com a cabeça. Pelo que eu entendi, eu começaria na terça-feira seguinte, trabalharia na quinta e no sábado. Ficaria no caixa, e teria de ter muita atenção pois lidar com dinheiro não era fácil. Meu horário de trabalho enquanto eu estivesse em treinamento seria das 17h às 22h, três dias por semana. Lá eles pagam o básico de 8,50 euros/hora. Ganhei um livrinho contando a história da rede
Super Valu, esta é uma das lojas franqueadas. É bem legal, eles anunciam até na TV. Lá trabalham muitos indianos, dois cambojanos e dois brasileiros. Por falar em cambojano, quando eu estava saindo do mercado, super empolgada de ter ficado com o trabalho, um Cambojano (Negro, alto e vesgo), que trabalha de segurança e fica na porta, se aproximou de mim. Perguntou de onde eu era e eu respondi. Logo ele abriu um sorriso, e já foi me dando o telefone dele. É impressionante como os homens estrangeiros têm péssimos conceitos sobre as mulheres brasileiras. Eu não quis ser indelicada, pois ia começar a trabalhar lá, então dei aquele sorriso amarelo e coloquei o pedaço de papel no bolso e fui embora.

Fiquei super feliz e considerei aquilo um sinal de que eu poderia gastar uma graninha numa linda bolsa para o meu laptop e com um roteador Wireless para instalar na casa, os quais eu tinha visto na loja de manhã. Dito e feito, nem voltei para casa, fui direto para o Centro novamente comprar a bolsa e o router. Voltei super cansada para casa, mas muito satisfeita. Domingo eu sai para compra uma calça preta social para o trabalho.



1º dia de trabalho - Aprendi a usar a caixa registradora, nem vi a hora passar. Só estranhei que, embora exista uma cadeira alta, própria para o caixa, ninguém senta. Tive dificuldade apenas em entender o nome dos cigarros, que por sinal, são um assalto: 7,50 euros. Ah, algumas frutas ou vegetais, que eu ainda estou aprendendo o nome, eu preciso registrar direto do caixa. Antes de fechar o mercado, é preciso fazer um balanço dos jornais que não foram vendidos. Os que sobram, são colocados num fardo, que eu aprendi a amarrar, para que a empresa de jornais recolha no dia seguinte. Pela primeira vez eu fui apresentada a uma corda de sisal. E descobri que as feupas espetam no dedo... Não é nada agradável, mas eu estava muito feliz, afinal, tinha conseguido um trabalho em duas semanas, que muitos estrangeiros levam meses para conseguir.

2º dia de trabalho - Aprendi que quando não tem muitos clientes na loja, é preciso organizar as prateleiras, inclusive as dos frios e congelados. Tipo, 5 horas de pé, você ainda tem que pegar em coisas muito geladas, e ainda organizar os jornais que não foram vendidos. Em suma, meu dedos roxos de frio, quase caíram na hora de amarras os fardos... Ninguém merece. Decidi que ficarei lá, no máximo 2 meses, tempo apenas para juntar uma grana e me recuperar da facada que tomei ao comprar o leptop. Ah, ganhei uma camiseta pólo vermelha, tamanho GG, super linda, acho que consigo até jogar futebol dentro dela.

3º - dia de trabalho - Sempre digo que o que está ruim pode piorar... Cheguei mais descansada, pois era sábado, pude dormir até mais tarde, não tive aula e... A gerente me esperava toda sorridente, dizendo que eu não ficaria no caixa naquele dia. Eu pensei, ok, tudo bem. Foi então que ela me apresentou a vassoura, mas não é qualquer vassoura, é enorme, acho que uns 50 cm, cerdas grossas e muito duras, ao balde e aos produtos de limpeza. Eu varri toda a frente do mercado, em baixo dos caixas, são três ao todo, e a parte das verduras, onde fica mais sujo. Quando eu ia iniciar a parte "molhada" do serviço, pedi auxílio a um colega, pois já não lembrava mais que produto era para usar. Foi então que ele disse para mim esquecer aquilo, pois a faxina era responsabilidade de outro funcionário, disse para mim não me preocupar com isto. Depois de um suspiro aliviado... Fui dizer a gerente que estava tudo ok. Então ela pediu que eu organizasse os frios... O frio é inexplicável. Foi então que um outro funcionário perguntou se eu gostaria de usar luvas, foi um anjo!! Depois disso, a gerente me levou para o depósito, nos fundos do mercado, e me apresentou a uma escada (bamba) para que eu pegasse as caixas de chocolate, para repor nas prateleiras. Pegava as caixas numa prateleira muito alta e as colocava sobre um carrinho alto e grande, enquanto tentava me equilibrar na porcaria da escada. Quando o suplício terminou, cheguei toda satisfeita e mostrei as caixas, então ela apontou para as prateleiras que ficam em frente aos caixas, que servem como o último de apelo ao consumo, enquanto as pessoas esperam a sua vez de serem atendidas. Depois de socar os chocolates, nas prateleiras, digo socar porque ela me ensinou que mesmo não tendo mais espaço, você deve fazer caber. Depois, recoloquei as caixas que não foras esvaziadas novamente na prateleira alta. O resto da noite, fiquei arrumando as outras prateleiras (comida, pães, ração, bolachas, frios, congelados, higiene pessoal, etc.)Ah, já ia esquecendo da aula didáctica que ela me deu sobre o nome dos vegetais e frutas. Ela pegou um de cada, colocou numa cesta e fez eu registrar os produtos no caixa. Bom isto me fez acreditar, ou ter esperança de que, para mim voltar ao caixa, terei de decorar o nome de todos os vegetais e frutas. Fiquei um pouquinho mais feliz. Quando sai do super não era capaz de levantar os braços, doía tudooo. Estava podre!!!

Semana que vem eu trabalho segunda, terça e quinta-feira. Estudei o nome das coisas, neste fim de semana e espero voltar para o caixa o quanto antes.

OBS.:PEDIDO A TODOS, POR FAVOR NÃO BAGUNÇEM AS PRATELEIRAS DO SUPER!!!

Um comentário:

Priscila disse...

Hahahaha, o bom disso td é que tu vai ter muita história para contar com estes empregos... boa sorte com a gerente chata, bjs!