



Sábado, enquanto eu estava no trabalho o filho mais velho da Paula, Eghon, foi fazer compras no mercado. Ele me falou de uma estudante chinesa que estava na casa, e ficaria no quarto da Paula. Eu achei que ele estivesse falando de estudante que morou na casa por 2 anos enquanto estudava aqui. Pensei que ela tivesse vindo fazer uma visita. Quando cheguei em casa, jantei e não vi ninguém.No dia seguinte, quando fui tomar o meu café, lá estava ela fazendo um "missin qnojo" para comer. Eram 11h da manhã, eu comendo o meu cereal matinal e ela atracada numa panela de massa instantânea... Começamos a conversar e descobri que eu tinha entendido tudo errado. Ela é uma nova estudante, que ficará na casa só por duas semanas. Não é chinesa como tinham me dito, e sim coreana. Para os irlandeses é tudo igual.
Logo fizemos amizade e a levei para o meu enorme quarto (2,40 por 2,40), mostrei a minha cuia de chimarrão e algumas coisas que trouxe do Brasil. Manifestei a minha vontade de dar uma volta pela cidade. Os olhos dela brilharam. Nos arrumamos e fomos para o centro da cidade, a parte que eu mais conheço.
Fiz tudo o que gostaria que tivessem feito comigo, de forma bem didática. Mostrei os pontos de referência para que ela conseguisse voltar para nossa home, pois eu no primeiro dia me perdi feio. Fiquei muito apavorada quando aconteceu comigo, era noite, estava muito frio, chovia fino e ventava de mais e não tinha uma viva alma para me dar uma informação. Por isto, fiz com que ela marcasse todos os lugares importantes, como o Hotel que tem na esquina, o semáforo em frente ao Super Valu, e o campo em frente a casa. As casa são muito parecidas, e de noite fica pior ainda a identificação.
Onde e como ela pegava o Luas. Expliquei para ela que se ela não comprasse o ticket do trem, e o fiscal pedisse, ela seria multada. Sim, eu disse multada! Eles tiram do bolso com caderninho similar aos azuizinhos do Brasil e passam uma multa para a criatura. E que era muito fácil andar de Luas, pois em cada parada, tem uma gravação que diz onde você está e qual é qual é a próxima. E não é como no Brasil, que o trem abre a porta sozinho, se você não aperta o botão, ou para sair ou para fechar ela não abre. E muito importante, quando dá um barulho, similar a uma sirene, não dá mais para subir porque ela está partindo.
Claro que da primeira vez que eu peguei eu não sabia nada disto. Fiquei esperando como uma pateta a porta abrir para eu entrar. Quando olhei as outras pessoas entrando pelas outras portas me dei conta do botão, mas já havia soado a sirene... Eu fiquei do lado de fora e a porta fechou na minha bolsa. A sorte que sempre existe uma alma caridosa em meu caminho. Um homem de dentro do trem forçou a porta, abriu e me puxou para dentro. Fiz questão de explicar este tipo de coisas para ela, pois é muito ruim nos primeiros dias. Tudo muito diferente.
Ah, não sei onde eu escutei que na Europa, as pessoas são educadas no trânsito. Que é só colocar o pé na rua que os carros param. Se é verdade isto, esta pessoa nunca veio para Dublin! Além da mão ser trocada, e sua cabeça estar condicionada a pensar ao contrário na hora de atravessar a rua e olhar para os lados, se você tentar atravessar a rua com o sinal aberto, corre sérios riscos... Os carros não param, e muito menos reduzem a velocidade. Se você não atravessou na faixa de segurança enquanto o sinal estava aberto para você, problema seu! Eles passam por cima mesmo. Disse para ela ter cuidado com o trânsito também.
Mostrei para ela alguns pontos turísticos que eu já conheço, como o parque, o Temple Bar, a Trinity, Catedral, o Centro Turístico, onde ficava a escola dela, o banco, onde ela teria de abrir a conta, e coisas do género. O Henrique ligou para mim convidando para almoçar. No fim, eu e ela ficamos morrendo de fome, até às 4h da tarde, esperando por ele. Quando ele ligou para dizer que não ia mais poder ir no Centro, pois ia agilizar a mudança dele no fim de semana.
Mortas de fome, fomos parar num restaurante que eu já tinha namorado há muito tempo. Mas não tinha tido coragem de gastar 10 euros por uma refeição. Comi carne, sem pimenta, com uma saladinha esperta, mas não escapei da batata... Acompan hava uma porção de fritas junto. Aqui na Irlanda, eles usam a batata que nem arroz no Brasil, ou seja, com tudo.
O domingo terminou com uma visita a igreja perto da nossa casa. A estudante coreana é muito católica e não podia considerar a hipótese de não ir na missa. Eu acompanhei ela, já que estava querendo conhecer a Igreja perto de casa. Chegamos, sem saber, uns 15 min antes da missa. Uma paroquiana veio pedir se nós podíamos levar o pão e o vinho para entregar para o Padre na hora da missa. Foi muito engraçado, pois nós demoramos um tempão para entender que era isto que ela queria. Eu logo achei que ela estava querendo me empurrar algum pão bento para comprar ou que nós tivéssemos que fazer algum tipo de doação de pães... Foi muito engraçado. Depois que nós descobrimos o que era, participamos da celebração.
A igreja é bem diferente, bonita, mas que olha de fora não imagina que é católica. Rezar em inglês é estranho, ainda bem que tem os folhetos que guiam um pouco. Como fim de semana passado foi Páscoa, a passagem da bíblia era sobre o apostolo, que me fugiu o nome agora, que só acreditou na Ressurreição de Cristo porque colocou os dedos em suas chagas.











em forma de dragão gigante, formiga, acrobatas,





